PF encerra processo e decide demitir Eduardo Bolsonaro por abandono de cargo

22/07/26  – http://blogfolhadosertao.com.br –  Por Estadão Conteúdo

Sem mandato, Eduardo deveria retornar ao cargo de escrivão da PF no Rio de Janeiro, no qual ele ingressou por meio de concurso público em 2010

A Polícia Federal (PF) concluiu o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e decidiu pela demissão dele por abandono de cargo. Agora, o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, deve assinar o ato para a expulsão do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) da corporação.

Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025 e passou a se definir como exilado político. Pelo acúmulo de faltas sem justificativa, teve o mandato de deputado federal cassado em dezembro do ano passado.

Sem mandato, Eduardo deveria retornar ao cargo de escrivão da PF no Rio de Janeiro, no qual ele ingressou por meio de concurso público em 2010. Como ele não se reapresentou ao serviço, um PAD foi aberto para analisar o caso em fevereiro deste ano. Desde então, o ex-deputado está afastado do cargo.

Na instrução do processo, a Corregedoria da PF no Rio determinou que ele entregasse a sua carteira funcional e arma de fogo.

Eduardo foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a quatro anos e dois meses de reclusão por coação, devido à sua atuação nos EUA para intimidar o Judiciário e impedir a análise da tentativa de golpe.

CRÍTICAS A MICHELLE

O ex-deputado federal criticou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) por causa de um vídeo publicado por ela nas redes sociais no fim de junho, no qual afirmou ter sido desrespeitada, humilhada e maltratada pelo enteado, o senador e pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro.

“Foi uma imaturidade da Michelle. Ela jamais poderia ter feito aquele vídeo”, afirmou o ex-parlamentar, em entrevista ao portal Metrópoles. Eduardo ainda classificou como “natural” que haja disputa por um “espaço tão cobiçado” quanto a Presidência da República. Isso teria feito com que divergências internas do clã Bolsonaro viessem a público, ele disse.

Sobre o tarifaço dos EUA, Eduardo afirmou que o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, comprometeu-se, durante audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), em Washington, a negociar um acordo de livre-comércio com os Estados Unidos caso vença a eleição presidencial. O tarifaço americano, com alíquota de 25%, entra em vigor nesta quarta-feira, 22.

“Ele disse o seguinte: ‘Por favor, não tarifem o Brasil. Eu vou ser presidente e, quando for presidente, vamos negociar um acordo de livre-comércio que seja bom para os dois lados e não será mais preciso tarifar os produtos brasileiros'”, disse

Fome mundial atinge 645 milhões de pessoas, diz relatório da ONU

22/07/26  –  http://blogfolhadosertao.com.br –    Agência Brasil

Fome e insegurança alimentar estão acima de metas para 2030
A população mundial em situação de fome diminuiu pelo terceiro ano consecutivo e chegou, em 2025, a 645 milhões de pessoas, representando uma redução de quase 14 milhões de pessoas que sofreram com fome em comparação com 2024 e 43 milhões, em comparação com 2022.As informações constam no relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2026 (SOFI, na sigla em inglês), elaborado por cinco instituições: a própria FAO, o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

A avaliação da fome global calcula que 7,8%, da população mundial sofreu de fome em 2025. Em 2026, este índice era de 8,6%. Percentual que caiu para 8,1%, em 2024.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (21), na sede da FAO, em Roma (Itália), durante a 30ª Sessão do Comitê de Agricultura da organização.

Aos presentes no evento, o diretor-geral da FAO, QU Dongyu, enfatizou que é preciso avançar mais rápidos.

“Acabar com a fome e tornar dietas saudáveis acessíveis exige compromisso político, investimento sustentado e políticas que o facilitem.”

Em discurso na 30ª Sessão do Comitê de Agricultura da FAO, a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) do Brasil, Fernanda Machiaveli, destacou que a fome é evitável. “Quando os governos priorizam o combate à fome, à pobreza e à desigualdade, é possível alcançar avanços concretos.”

Insegurança alimentar 
O relatório global de 2026 também destaca que houve progresso global no número de pessoas que viviam em situação de insegurança alimentar moderada ou severa.

Esta condição de extrema de vulnerabilidade ocorre quando as pessoas consomem alimentos em quantidade insuficiente para uma vida saudável ou comida com menor qualidade nutricional.

A FAO estima que 25,8% da população mundial (cerca de 2,1 bilhões de pessoas) vivia em situação de insegurança alimentar moderada ou severa até 2025. O percentual representa uma queda em relação aos 27,1% em 2024 e 28,7% em 2020 – quase 86 milhões a menos do que em 2024 e 135 milhões a menos do que em 2020 – embora ainda esteja acima dos níveis pré-pandemia.

Disparidades continentais
Apesar da redução contínua nos níveis da fome, a recuperação é desigual entre os continentes. A principal publicação anual sobre fome no mundo indica que, enquanto a Ásia, a América Latina e o Caribe apresentam melhorias graduais nos últimos anos três, a África é, atualmente, o continente com o maior número absoluto de pessoas famintas, em um contexto de rápido crescimento populacional, diz a FAO. Estima-se que uma em cada cinco pessoas na África, ou seja, 20% enfrentaram a fome em 2025, o que corresponde a cerca de 309 milhões de pessoas famintas na África. Em 2024, este índice foi ligeiramente maior: 20,3% da população.

Quando avaliada a situação de insegurança alimentar moderada ou severa, em 2025, mais da metade da população africana (56,6%) vivia nesta condição, em comparação com 22,9% na América Latina e Caribe, 8,7% na América do Norte e Europa, e 20,3% na Ásia.

Mais vulneráveis
A insegurança alimentar também permanece maior nas áreas rurais do que nas áreas urbanas e periferias, enquanto as mulheres continuam sendo desproporcionalmente afetadas, embora a diferença de gênero tenha diminuído ligeiramente em 2025.

Globalmente, apenas 62,7% das mulheres entre 15 e 49 anos atingiram a diversidade alimentar mínima priorizada no consumo saudável entre 2021 e 2025, o que significa que cerca de uma em cada três mulheres não a atingiu no planeta.

No recorte continental, a menor prevalência de transtorno de diversidade alimentar em mulheres foi observada na África (43%), seguida pela Ásia (65%) e América Latina e Caribe (77,5%).

Enquanto a maior de diversidade alimentar foi registrada na América do Norte e Europa (79,8%).

Ritmo de avanço
Os avanços globais na nutrição de mães e crianças são lentos e marginais, o que ameaça o cumprimento das metas internacionais estipuladas para 2030.

Apenas 30,8% das crianças entre 6 e 23 meses no mundo consomem uma alimentação minimamente diversificada.

Entre os principais indicadores de alerta estão:   desnutrição infantil grave: 150 milhões de crianças menores de 5 anos ainda sofrem de atraso no crescimento;  anemia em mulheres: O quadro de anemia entre mulheres em idade fértil (15 a 49 anos) está piorando globalmente.

·         obesidade adulta: a prevalência cresceu de 12,1% (2012) para 16,2% (2024), descumprindo a meta global de parar esse crescimento até 2025.

Entre os cenários destacados na análise global com alguma evolução está o aumento do aleitamento materno exclusivo em todas as regiões do planeta para as quais há dados disponíveis e houve registro da diminuição da prevalência do retardo infantil na África.

Custo da alimentação saudável
O relatório ressalta que os custos continuam sendo um grande desafio para alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 2 de, até 2030, erradicar a fome, alcançar a segurança alimentar e melhorar a nutrição.

O número de pessoas que não podem pagar uma alimentação saudável no mundo caiu de 2,97 bilhões (37,4% da população mundial) em 2021 para 2,69 bilhões (32,7%) em 2025.

O cenário é pior na África de 2025, onde 66,6% da população não podia arcar com os custos de uma dieta saudável. O percentual é mais do que o dobro da Ásia, América Latina e Caribe.

Para calcular este número, a FAO-ONU adota a Paridade do Poder de Compra (PPC) – em inglês, purchasing power parity (PPP), que converte as moedas locais para o dólar ajustando as diferenças de custo de vida e ainda considera variáveis como tamanho da população, perfil de renda e custo médio de uma cesta de alimentos saudável. Desta forma, a unidade de medida usada consegue comparar o poder aquisitivo entre países.

Por essa metodologia, em 2025, o custo médio de uma dieta saudável no mundo aumentou para U$ 4,28 com paridade de poder de compra (PPA) por pessoa e dia, acima de U$ 3,44 PPP, em 2021, e U$2,94, em 2017. América Latina e Caribe registraram o maior custo (U$ 4,91 PPP).

A avalia destaca que é urgente o desafio de enfrentar os fatores estruturais por trás do custo persistentemente elevado de uma dieta saudável.

Para os organismos internacionais que elaboraram o SOFI 2026, reduzir o custo de uma alimentação saudável exige políticas específicas que ampliem a oferta de alimentos nutritivos e, ao mesmo tempo, reduzam os custos estruturais em toda a cadeia produtiva da agricultura.

“Isso inclui investimentos em infraestrutura, pesquisa e desenvolvimento, irrigação e cadeias de frio, além de reformas em subsídios, facilitação do comércio e marcos regulatórios”, diz o texto do relatório.

A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli, destacou que o trabalho ainda está longe de ser concluído, mas que os governos podem mudar a realidade de quase um terço da humanidade que ainda não conseguir acesso a uma alimentação saudável.

“O custo dos alimentos saudáveis continua sendo um dos maiores obstáculos para a efetivação do direito humano à alimentação adequada. A contribuição mais importante desta edição do SOFI é ir além da descrição do problema. O relatório nos ajuda a compreender por que as dietas saudáveis continuam sendo caras”, pontuou a ministra.

Fernanda Machiaveli focou na instabilidade dos preços dos alimentos, que continua sendo uma das maiores ameaças ao acesso à alimentação saudável, especialmente para as populações mais vulneráveis.

A fome pode aumentar
O relatório anual também oferece projeções do cenário da fome global para os próximos cinco anos e considera fatores que podem agravar a situação.

Entre os mais destacados estão os efeitos do conflito no Oriente Médio e de eventos climáticos extremos, como o El Niño em 2026 e 2027, que não são considerados nessas projeções e podem intensificar ainda mais esses efeitos.

Outro aspecto levantado foi a redução da ajuda oficial de governos ao desenvolvimento e do financiamento humanitário, que podem ameaçar e comprometer o progresso alcançado no combate à fome no mundo nos últimos anos.

O diretor-geral da FAO, QU Dongyu, priorizou a necessidade de fortalecer os sistemas agroalimentares de todas as partes do mundo.

“Crises recentes – desde desastres naturais como a pandemia da doença do coronavírus (covid-19) até desastres causados pelo homem, como pontos críticos, a guerra na Ucrânia, a crise de Gaza e a recente interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz – evidenciaram tanto a resiliência dos sistemas agroalimentares quanto a necessidade de fortalecê-los ainda mais para melhor servir às pessoas mais vulneráveis do mundo, agricultores e consumidores”, concluiu.

Master emprestou R$ 336 milhões para 4 conselheiros e sócios da Biomm

22/07/26  —  http://blogfolhadoserto.com.br  –  Por  Metrópoles

Operação é semelhante à investigada pela CVM por coordenação para fazer disparar preços das ações da Ambipar
Fábrica da Biomm
O envolvimento de Daniel Vorcaro com a farmacêutica Biomm ia muito além da participação acionária de 25,86% no capital social da empresa. Na mesma época em que o banqueiro se tornou acionista, o Banco Master, controlado por ele, registrou ter emprestado R$ 336 milhões para outros acionistas e conselheiros da empresa, justamente em período de forte valorização das ações da companhia.

A operação é semelhante à investigada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) referente à AmbiparA área técnica da CVM aponta que Vorcaro, o investidor Nelson Tanure e o CEO da Ambipar, Tercio Borlenghi Junior, teriam agido em conluio para inflar as ações da companhia entre junho e agosto de 2024 a partir da aquisição coordenada de ações.

No caso da Biomm, no período em que Daniel Vorcaro emprestou R$ 336 milhões para dois fundadores da empresa, um conselheiro e um investidor, as ações se valorizaram mais de 300%, também em 2024, mas entre fevereiro e maio. Em dezembro, o Neofeed apontou que essa valorização estava atrelada a intensa movimentação de compra e venda envolvendo membros do conselho de administração.

A própria Biomm já disse, em fato relevante, “que a negociação de suas ações no mercado apresenta, historicamente, baixa liquidez, de forma que eventos isolados de compra ou venda possuem a capacidade de influir significativamente em sua cotação”. Com dinheiro do Master, outros acionistas teriam, assim, dado liquidez às ações, fazendo-as valorizar para, enfim, beneficiar os próprios acionistas, entre eles Vorcaro.

Empréstimos para grupo ligado à Biomm

A coluna inicialmente noticiou dois empréstimos, que somam R$ 45 milhões, para que o ex-ministro do Turismo Walfrido dos Mares Guia, fundador da empresa, adquirisse um lote de ações na oferta de aumento da capital no início de 2024. Mas outros R$ 10,2 milhões foram cedidos para a Samos Participações, holding da família Mares Guia, e R$ 10,3 milhões para André Emrich, filho de outro fundador da Biomm, Guilherme Emrich. A informação consta em planilha compartilhada pelo liquidante do Master em um processo judicial.

Indicado pelo Master para ocupar uma cadeira no Conselho de Administração da Biomm, Pedro Mesquita, ex-chefe do banco de investimento da XP e fundador da Exa Capital, também tomou R$ 10,3 milhões emprestados do Master em 21 de abril de 2024, nove dias antes de ser eleito para o posto na Biomm, Em janeiro, ele já havia tomado um financiamento de R$ 5,1 milhões.

Chama atenção que o valor cedido a Pedro em abril é idêntico, até nos centavos, aos empréstimos concedidos a Walfrido e a André Emrich. Já o crédito anterior cedido a Mesquita é exatamente a metade disso. Isso fazia com que, dos sete conselheiros eleitos para o conselho de administração da Biomm em 30 de abril de 2024, fossem, na pessoa física, credores do banco do principal acionista da companhia, Daniel Vorcaro.

A maior transação, porém, envolvia o investidor Lucas Kallas, que participava da sociedade através da Cedro Participações, com 8% do capital. Em 16 de abril de 2024 – quinze dias antes da assembleia de acionistas que elegeu um indicado de Vorcaro – o Master emprestou R$ 254 milhões para a LPK Participações, de Kallas.

Mares Guia, ex-ministro do primeiro governo Lula, disse à coluna que nos casos dele e de Emrich, o empréstimo foi para financiar a integralização feita por eles no aumento de capital da empresa. Mas o valor total envolvido nas transações é superior ao total do aumento de capital da Biomm em fevereiro de 2024: R$ 217 milhões.

Foi nesta operação que Vorcaro se tornou acionista da empresa, a partir de operação realizada pelo fundo Cartago. Depois, em 2025, como forma de ressarcir o BRB pelas carteiras de crédito falsas repassadas, Vorcaro entregou essas ações ao Banco de Brasília.

Já este ano, quando o fato de as ações estarem em posse do BRB se tornou público, a gestora Alaska fez uma oferta e as adquiriu.  Também comprou as ações da Cedro Capital, de Kallas.

As operações entre o Master e acionistas da Biomm coincidiram com um aumento expressivo no valor das ações da farmacêutica na B3. Emitidas a R$ 5,75 no aumento de capital, que durou entre dezembro de 2023 e fevereiro de 2024, elas bateram em R$ 17,80 em 3 de maio.

Operação semelhante também envolveu a Oncoclínicas. Em maio daquele ano de 2024, o Master emprestou R$ 517 milhões para Bruno Ferrari, fundador e então CEO da companhia, participar do aumento de capital liderado pelo próprio Vorcaro, que comprou cerca de R$ 1 bilhão em ações, conforme divulgado à época. O movimento até fez o preço dos papéis subir cerca de 25% em poucos dias, mas logo veio a derrocada. Hoje, as ações valem menos de um real.

A coluna procurou Pedro Monteiro e a Exa Capital, mas não teve resposta. Também não recebeu resposta das tentativas de contato com Lucas Kallas e sua Cedro Participações. A assessoria de Tanure disse que “a aquisição de ações da Ambipar pelo empresário ocorreu depois dos fatos que foram objeto de análise pela área técnica da CVM, de modo que não pode ser responsabilizado por circunstâncias pretéritas e relacionadas exclusivamente ao controlador da empresa” e que ele não figurou como parte no processo instaurado na CVM para avaliar eventual necessidade de realização de OPA pelo controlador da Ambipar.

A Biomm, após a publicação da reportagem, afirmou que “o fundo Cartago, citado na matéria, foi acionista da companhia no ano de 2024, assim como os outros mais de 1500 acionistas que a companhia possui, e nunca teve nenhuma influência na tomada de decisões da administração, nem teve assento no Conselho de Administração”. Disse também que o Master nunca manteve qualquer relação comercial com a Biomm e jamais participou da indicação de conselheiros da companhia.

“Cabe destacar que o Sr. Pedro Mesquita já era acionista da Biomm antes da entrada do Fundo Cartago em sua base acionária, e sua eleição ao Conselho ocorreu através de Assembleia Geral aberta a todos os acionistas da companhia”, continuou.

Justiça concede liberdade ao padre Airton Freire após quase três anos

22/07/26  –  http://blogfolhadosertao.com.br  – Por Diário de Pernambuco

A Justiça de Pernambuco revogou a prisão domiciliar do padre Airton Freire (foto), investigado por acusações de estupro, e determinou sua liberdade mediante o cumprimento de medidas cautelares. A decisão foi proferida nesta terça-feira (21) pelo juiz Guilherme Oliveira da Silva Gonçalves, que entendeu haver excesso de prazo na instrução processual.

O religioso estava em prisão domiciliar desde julho de 2023, após ter sido preso preventivamente no âmbito das investigações. A decisão ocorre cerca de quatro meses depois de Airton ser absolvido em uma das ações penais que responde. As informações são do Diario de Pernambuco.

Ao analisar o caso, o magistrado concluiu que a demora na tramitação do processo não pode ser atribuída à defesa. Na decisão, destacou ainda que o padre permaneceu submetido à medida cautelar por aproximadamente dois anos e 11 meses sem descumprir nenhuma das condições impostas pela Justiça.

Para o juiz, embora a fase de instrução ainda não tenha sido encerrada, a manutenção da prisão preventiva deixou de ser proporcional ao estágio atual do processo e poderia ser substituída por medidas cautelares menos gravosas.

Entre os motivos apontados estão a complexidade da ação, a ausência de testemunhas da acusação em algumas audiências e a necessidade de repetir um depoimento. Segundo o magistrado, esses fatores provocaram adiamentos que não podem ser imputados aos réus.

Com a decisão, Airton deixa a prisão domiciliar, mas continuará sujeito a restrições determinadas pela Justiça. Entre elas estão a proibição de manter contato com a denunciante, exercer atividades religiosas e fazer publicações sobre o processo nas redes sociais.

O sacerdote também permanece com as funções eclesiásticas suspensas e privado do uso de ordem pela Diocese de Pesqueira.

A advogada Mariana Carvalho, que integra a defesa do religioso, afirmou que a manutenção da prisão já não se justificava. “Depois da primeira absolvição em março, começava a ficar claro que a manutenção da prisão domiciliar era uma medida extrema.”

A defesa também afirmou que seguirá buscando a absolvição do padre nas ações ainda em andamento. “Seguimos confiantes de que a análise técnica das provas continuará demonstrando a inocência do padre Airton. A decisão de hoje restabelece a proporcionalidade das medidas cautelares, sem qualquer prejuízo ao prosseguimento do processo”, disse Mariana Carvalho, que atuou na defesa ao lado de Eduardo Trindade e Marcelo Leal.

O caso

O padre Airton Freire foi denunciado pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) sob a acusação de participar do estupro de Silvia Tavares de Souza, em agosto de 2022, na Fazenda Malhada, em Buíque, no Agreste.

Segundo a denúncia, o motorista e segurança Jailson Leonardo da Silva teria cometido a violência sexual a mando do religioso, durante um período em que a mulher participava de um acompanhamento espiritual.

De acordo com a acusação, Silvia foi levada até um imóvel conhecido como “Casinha”, onde ocorriam atendimentos espirituais. O MPPE sustenta que, no local, o padre teria pedido que a mulher lhe fizesse uma massagem e, em seguida, ordenado que o motorista a estuprasse.

Durante a investigação, o Ministério Público apontou elementos como um áudio atribuído ao padre convidando a vítima para o encontro, registros fotográficos da presença de Jailson na fazenda no horário indicado pela denunciante, indícios de exclusão de dados de localização do celular do sacerdote e um laudo que identificou vestígios de sêmen em um colchão do imóvel.

Ao analisar o pedido de recebimento da denúncia, o juiz Felipe Marinho dos Santos observou que o conjunto probatório apresentava elementos favoráveis e contrários à acusação, classificando o acervo como de “caráter quase paradoxal”.

Absolvição

Em março deste ano, Airton Freire e o motorista Jailson Leonardo da Silva foram absolvidos em uma das ações penais relacionadas ao caso.

Na sentença, o juiz Felipe Marinho dos Santos concluiu que as provas periciais produzidas durante a investigação contrariavam pontos centrais da versão apresentada pela denunciante, afastando a possibilidade de condenação naquele processo.

No entanto, a absolvição não encerrou todos os processos envolvendo o religioso, que continua respondendo a outras ações judiciais decorrentes das denúncias.

Raquel Lyra vistoria avanço de obras do Governo do Estado no Sertão

22/07/26   — http://blogfolhadosertao.com.br  –  Imprensa PE

Foto: Divulgação

A governadora Raquel Lyra (PSD) realizou, neste final de semana, uma agenda de vistorias a obras em andamento pelo Governo de Pernambuco em municípios no Sertão de Itaparica. A gestora percorreu Floresta, Itacuruba e Belém de São Francisco acompanhando o andamento das obras nas áreas de segurança pública, a exemplo do Complexo da Polícia Científica e Grupamento de Bombeiros, na educação, com a visita a três obras de creches e centros culturais. Os novos equipamentos ampliam a presença do Estado no Sertão. À noite, a gestora ainda prestigiou a tradicional Serenata da Recordação, em Santa Maria da Boa Vista.

Visitamos as obras de pavimentação, a construção de creches e as obras do Complexo de Polícia Científica e do Corpo de Bombeiros. O Governo tem investimento em todas as áreas no Sertão de Itaparica, e isso tem acontecido em Pernambuco como um todo, chegando a municípios grandes, como o Recife, e a municípios pequenos, como Itacuruba, aqui em Itaparica, para proporcionar melhor qualidade de vida da população que vive tanto nos grandes centros como nas áreas rurais“, afirmou a governadora Raquel Lyra.

O Complexo da Polícia Científica está em construção no município de Floresta. A obra conta com o investimento de R$ 4,3 milhões e tem mais de 30% executada. Já o Grupamento de Bombeiro recebe o aporte de R$ 3,7 milhões. Ainda em Floresta, estão em construção duas creches localizadas no Centro e no Loteamento Três Marias II. Cada unidade irá ofertar mais de 300 vagas em educação infantil com o investimento de R$ 10,7 milhões. As obras ocorrem por meio da Companhia Estadual de Habitação e Obras (Cehab).

O Centro de Floresta irá ganhar o Espaço CEU da Cultura, que recebe investimento de R$ 1,95 milhão, em parceria com o Governo Federal. O local contará com espaços para atividades comunitárias, incubadora cultural, biblioteca, sala multifuncional, ampliando a oferta de atividades gratuitas à população. O Estado também amplia a infraestrutura e mobilidade urbana de Floresta com o  investimento de R$ 2,8 milhões com pavimentação de 20 vias públicas e calçamento em outras seis ruas com o aporte de R$ 1,4 milhão.

Melhorando a infraestrutura viária, a gestora ainda acompanhou a obra de restauração da PE-422, realizada por meio do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-PE), no município de Itacuruba. Com o investimento de R$ 11,02 milhões, a intervenção tem uma extensão de 11,9 quilômetros, do  entroncamento com a BR-316 até a sede do município. A obra será concluída no próximo mês de novembro e irá beneficiar mais de 20 mil habitantes.

Seguindo para Belém de São Francisco, a chefe do Executivo estadual ainda visitou as obras de implantação da PE-460. A nova rodovia terá 4,86 quilômetros e recebe o investimento de R$ 9,6 milhões, facilitando o acesso ao  Porto da Barra do Tarrachil, travessia sobre o Rio São Francisco que conecta Pernambuco à Bahia. No município, a gestora visitou a construção de uma creche que está em andamento e recebe o aporte de R$ 5,6 milhões.

Fuzil apreendido no carro de Canella estava ligado ao seu segurança, um PM lotado na Corregedoria do Detran, com autorização do ex-secretário Marcelo de Menezes

22/07/26  – hhttp://blogfolhadosertao.com.br  –  Midias Sociais

Fuzil apreendido no carro de Marcio Canella — Foto: Reprodução

Investigações da Secretaria de Estado de Polícia Militar sobre a origem das armas apreendidas na 6ª fase da Operação Unha e Carne da Polícia Federal (PF) apontam que o fuzil da PM apreendido no carro do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União), foi pedido por ele e acautelado para uso de sua segurança pessoal, com autorização formal do secretário de Estado de Polícia Militar da época e atual pré-candidato a uma vaga na Alerj pelo PL, o coronel Marcelo Menezes.

Segundo a corporação, a arma foi registrada em nome do sargento Alexandre Paixão da Silva Júnior, policial responsável pela escolta de Canella, e retirada do arsenal do Quartel-General da corporação, na Rua Evaristo da Veiga, no Centro do Rio. O agente passou a ser lotado na Corregedoria do Detran, que, segundo a própria autarquia, não utiliza armas de calibre de uso restrito.

O Detran informou que o PM havia sido cedido ao órgão desde outubro de 2025, e que “não havia conhecimento do serviço que o policial exercia”. Em maio, quando o coronel da reserva da PM Carlos Eduardo Sarmento da Costa assumiu a presidência do Detran, nomeado pelo governador em exercício Ricardo Couto, o policial passou a trabalhar numa escala sob supervisão.

Em nota enviada ao Jornal “O Globo”, o Detran esclareceu que os agentes lotados na corregedoria trabalham em ações externas fiscalizando postos de vistoria e também na diretoria de desmontagem de ferros-velhos — funções nas quais, segundo a autarquia, não se faz necessário o porte de fuzil. O órgão confirmou, assim como a PM, que a arma é uma carabina Colt M4 calibre 5,56 e estava acautelada em nome do policial.

Saída do Detran chama a atenção

Recentemente, em 25 de junho de 2026, um processo administrativo havia sido aberto solicitando a devolução de Alexandre Paixão à Polícia Militar. Mas, a partir da 6ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada no início de julho, quando veio à tona a situação do policial e do fuzil, o servidor teve a exoneração requerida de imediato, no mesmo dia — 08 de julho. No dia seguinte, a exoneração de Paixão foi publicada no Diário Oficial e uma sindicância interna foi aberta para apurar como o agente trabalhava na gestão anterior, já que, segundo o Detran, nos dias de folga o órgão não exerce gerência sobre o servidor.

Liberdade com tornozeleira e recolhimento noturno

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu, no último dia 10, liberdade provisória a Márcio Canella. Ele foi preso em flagrante após a Polícia Federal encontrar um fuzil pertencente à Polícia Militar do Estado do Rio, dentro de um de seus carros.

Apesar de validar a legalidade das prisões em flagrante, o ministro entendeu ser possível substituir a prisão por medidas cautelares alternativas. Agora “em liberdade”, Canella deverá cumprir as seguintes condições: instalação imediata de tornozeleira eletrônica; recolhimento domiciliar obrigatório no período noturno e nos finais de semana; comparecimento semanal à Justiça e entrega dos passaportes; e a suspensão imediata de porte de armas.

O descumprimento de qualquer uma das regras resultará no retorno imediato dos investigados à prisão. O ministro fixou ainda o prazo de cinco dias para que a Polícia Militar do Rio de Janeiro preste esclarecimentos sobre a situação funcional dos envolvidos e a origem das armas.

A 6ª fase da Operação Unha e Carne, desencadeada pela PF, investiga um esquema bilionário de lavagem de dinheiro em postos de combustíveis. A operação mira a movimentação de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos por meio de redes de combustíveis.

Com informações de Vera Araújo, do Jornal “O Globo”.