18/01/26 – http://blogfolhadosertao.com.br – Por Lauro Jardim – O Globo
Ex-deputado e ex-ministro Raul Jungmann
Morreu hoje (18 à noite em Brasília, aos 77 anos, o ex-ministro e ex-deputado federal por três mandatos Raul Jungmann. Ele estava internado no DF Star e lutava havia anos contra um câncer no pâncreas.
O ex-ministro chegou a ficar internado por longo tempo. Mas foi para casa recentemente e já estava sob cuidados paliativos. No fim de semana, voltou ao hospital.
Jungmann foi ministro cinco vezes. No governo FHC, foi ministro do Meio Ambiente, do Desenvolvimento Agrário e de Políticas Fundiárias. No governo Temer, ocupou o Ministério da Defesa e em 2018 foi o primeiro ministro da Segurança Pública do país (o cargo, que agora Lula promete recriar, foi extinto no governo Bolsonaro).
Pernambucano, Jungamnn começou a militar na política no PCB, com o partido ainda na clandestinidade. Depois, ajudou a fundar o PPS, onde ficou até 2018.
18/01/26 – http://blogfolhadosertao.com.br – Por PNP
Espécie altamente adaptada e com histórico produtivo milenar, assim como o bovino nelore, originário da Índia, encontrou nos estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul condições ideais para seu pleno desenvolvimento, e o búfalo se adaptou plenamente à Ilha de Marajó, o jumento nordestino, trazido da África, estabeleceu no semiárido do Nordeste brasileiro uma relação de adaptação tão eficiente que o bioma passou a se confundir com seu ambiente de origem.
Trata-se de uma simbiose produtiva: uma relação funcional, harmônica e altamente eficiente entre a espécie e o território, resultado da combinação entre rusticidade, adaptação fisiológica e potencial econômico.
O jumento (Equus asinus) é uma das primeiras espécies domesticadas pela humanidade e integra as sociedades humanas há mais de 5 mil anos, com contribuições históricas no trabalho agrícola, transporte, tração e, mais recentemente, na produção de leite, carne e colágeno, segmentos que vêm despertando crescente interesse no mercado internacional.
A espécie apresenta elevada adaptação térmica, eficiente aproveitamento da matéria seca e reduzida exigência hídrica, o que permite boa manutenção corporal em regiões áridas e semiáridas, mesmo com alimentação de baixa qualidade, suplementação mínima e menor ingestão de água. Jumentos e camelos figuram entre as espécies mais aptas a enfrentar longos períodos de seca quando comparadas a outros tipos de gado.
Mesmo diante do abandono não intencional ocorrido ao longo de décadas, os jumentos nordestinos seguem se reproduzindo naturalmente, reflexo direto de sua excelente adaptação. Por esse motivo, o risco de extinção da espécie nunca se configurou como uma ameaça real. Esse cenário é reforçado pelas cadeias produtivas organizadas das raças Pêga e Brasileira, que somam mais de 70 mil animais de alto valor genético e comercial, rigorosamente controlados por associações de criadores.
Evidências científicas e oportunidade econômica para o Brasil
Experimentos conduzidos pela Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE) comprovam, na prática, a viabilidade econômica da asinocultura no Nordeste. Segundo Jorge Lucena, zootecnista, professor associado e coordenador da pós-graduação da instituição, os estudos demonstraram que os jumentos atingiram 100 quilos de peso vivo aos oito meses de idade, logo após o desmame, alimentando-se exclusivamente de pastagens naturais e leite materno.
Os resultados evidenciam um sistema produtivo de baixo custo, alta eficiência biológica e plena adequação às condições do semiárido, consolidando a criação de jumentos como uma alternativa sustentável para o agronegócio regional.
Diante desse cenário, o Brasil reúne condições técnicas e ambientais para se posicionar como player estratégico no fornecimento de proteína e colágeno asinino, especialmente para os mercados asiáticos, onde esses produtos apresentam alta demanda e valor agregado, abrindo novas frentes de geração de renda, emprego e desenvolvimento econômico no semiárido nordestino.
Ascom Nordeste Agropecuária Comércio e Indústria Ltda
Antes realizada praticamente de forma improvisada, a Feira de Animais de Salgueiro ganhou um espaço adequado para a comercialização de caprinos, ovinos, suínos e bovinos. A Prefeitura de Salgueiro, através da Secretaria de Desenvolvimento Rural, inaugurou currais no Parque de Exposições neste sábado, 17, garantindo um local apto à realização da atividade de agronegócio.
“É uma feira semanal em uma cidade que tem um potencial gigantesco. Aqui o produtor, o criador, quando ele for para outras feiras, como em Tabira, Terra Nova , Serrita e Parnamirim, eu tenho certeza que primeiramente ele vai querer parar em Salgueiro. E fazendo seu negócio aqui, não passa adiante, ele volta para sua casa, para perto de sua família”, disse o prefeito em exercício, Emmanuel Sampaio.
Muitos produtores rurais marcaram presença no lançamento da nova feira.e aprovaram a ação da prefeitura. “Com essa reforma que fizeram aqui vai melhorar para os agricultores. [Tem como] colocar os bichos nos currais, tem espaço para a gente comprar e para colocar em cima dos carros. Não tem perigo de o bicho ir embora e a gente perder aquele animal, que a gente perdeu muito aqui… Foi um bom plano da gestão e eu peço que melhore cada vez mais, porque a gente precisa”, declarou Valmir da Canoa, que participa da feira há mais de 20 anos.
A Feira de Animais de Salgueiro ocorre tradicionalmente aos sábados no Parque de Exposições, às margens da BR-232, na saída para Parnamirim. Geralmente os pecuaristas e agricultores chegam ao local no fim da madrugada, bem cedo, para comprar ou vender animais. Muitas negociações são feitas semanalmente no local.
18/01/26 – http://blogfolhdosertao.com.br -Por O Globo
Namorado da servidora, apontado como uma das lideranças de facção na Região Norte do país, participou de sua posse no Palácio dos Bandeirantes em 19 de dezembro
Layla Ayub, advogada que havia sido recém-empossada delegada, foi presa por suspeita de ligação com o PCCReprodução/Redes sociais
RESUMO
A delegada Layla Ayub, presa nesta sexta-feira (16) por suspeitas de integrar a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), disse a corregedores que “deu bobeira” ao atuar como advogada de um integrante de facção dias após a posse no cargo público. Layla participou no dia 28 de dezembro de uma audiência de custódia de presos no Pará. Além disso, ela era namorada de um homem chamado Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel, que já havia sido condenado por pertencer à facção criminosa e estava em liberdade condicional.Layla foi interrogada durante cinco horas por delegados da Corregedoria da Polícia, a quem relatou a “bobeira”, segundo informações obtidas pelo Estadão. Investigadores disseram ao jornal que a delegada está “raivosa” com o ex-marido, que é delegado no Pará.
As primeiras informações sobre o suposto elo da mulher com o crime organizado chegaram às autoridades de forma anônima. No entanto, ela acredita que o ex-companheiro teria impulsionado as denúncias ao transmitir dados sobre a atuação dela em defesa de faccionados.
Durante o interrogatório, Layla disse que já havia pedido o cancelamento de sua matrícula na OAB, o que ainda não teria sido oficializado. Ela reconheceu que, mesmo assim, foi à audiência de custódia.— Dei bobeira — disse.
Layla atuava como advogada no Pará, mas estava morando em São Paulo. De acordo com investigações do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), ela não só tinha clientes faccionados como visitava muitos presos integrantes do PCC em Marabá, no Pará, ainda que não tivesse procuração para representar esses detentos, e isso foi um dos fatores que chamou a atenção dos promotores.
A outra suspeita em relação a ela foi o relacionamento com Dedel, que era um dos líderes do PCC na Região Norte. Ele estava em liberdade condicional e não podia deixar a comarca de Marabá, mas saiu da cidade para morar em São Paulo com Layla. O GLOBO tenta encontrar as defesas.
Layla era policial militar do Espírito Santo, depois se casou com um delegado e se mudou para o Pará. Lá, tirou o registro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e começou a atuar como advogada criminal. Ela conheceu Jardel quando ainda estava casada.
Segundo o Estadão, no interrogatório, a mulher não se julgou inocente, mas ressalvou: — Não errei sozinha.
O secretário de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, afirmou que a investigação social não falhou porque, na época em que ela prestou e foi aprovada no concurso, “não havia nenhum apontamento contra ela”. Ele ponderou que ela ainda estava em estágio probatório, na Academia da Polícia Civil, e que as investigações seguiram durante esse período, quando foram descobertas as relações dela.
— Eu não queria estar aqui nesse momento, eu queria estar com mais um aluno na academia porque a gente está precisando de delegado, mas a pessoa está num estágio probatório de três anos, e por três anos pode ser investigado. Na primeira investigação, não tinha nenhum apontamento — falou.
Jardel chegou a acompanhar Layla durante sua posse como delegada, no dia 19 de dezembro, no Palácio dos Bandeirantes. Na ocasião, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) participou da posse de 524 novos delegados da Polícia Civil.
Ainda de acordo com as investigações do MP-SP, Layla e Jardel estavam planejando adquirir uma padaria na Zona Leste de São Paulo, que poderia ser usada para lavagem de capitais.
O casal foi preso temporariamente na manhã desta sexta-feira em uma pensão onde viviam no Jardim Bonfiglioli, Zona Oeste da capital. A prisão tem prazo de 30 dias, e nesse prazo o MP poderá pedir para a Justiça a renovação da prisão.
Três das quatro agendas cumpridas em um só dia pela governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), têm a mão do governo federal.
A movimentação se dá uma semana após o deputado estadual João Paulo (PT) defender mais de um palanque para o presidente Lula no estado, agradando um segmento do Partido dos Trabalhadores.
A sexta-feira da gestora começou com a entrega da primeira obra de 2026: a restauração da Matriz de Santo Antônio, no Centro do Recife, que recebeu investimento de R$ 3,8 milhões, dentro do Novo PAC. O deputado marcou presença.
De lá, a governadora encontrou o ministro das Cidades, Jader Filho. Mais que uma visita entre as Estações Joana Bezerra e Recife, os dois assumiram o compromisso de recuperar o metrô.
Jader Filho prometeu que as obras começam em um mês. Assegurou que não faltará verba e disse haver R$ 500 milhões disponíveis. Onze trens seminovos, de Belo Horizonte e Porto Alegre, chegarão até junho.
À tarde, a governadora e o ministro entregaram o Residencial Vanete Almeida, em Serra Talhada, no Sertão do Pajeú, contemplando 902 famílias, dentro do Minha Casa Minha Vida.
Com esses, chega a dois mil o número de imóveis entregues nos últimos três anos após a retomada de obras que estavam paralisadas. Os deputados petistas Carlos Veras e Doriel Barros participaram do evento.
Nada se consolida eleitoralmente enquanto a governadora apenas agradecer ao presidente. Palanque mesmo só declarando apoio, e isso Raquel Lyra até agora não sinalizou disposição de fazer.
Resiliência feminina
A governadora Raquel Lyra ignorou vaias em Serra Talhada, na entrega de residencial, e revidou com promessa de mais obras. “Para vocês que estão vaiando, sabem o que vem pela frente? A duplicação da BR-232 de Serra a São Caetano. Vamos lançar ainda este semestre”, disse, acrescentando não ser fácil trabalhar de forma honesta.
Reconhecimento
Adversário da prefeita Márcia Conrado, o deputado de Serra Talhada Luciano Duque não teve direito a fala na solenidade do habitacional. De parlamentar, apenas Fernando Monteiro, aliado da prefeita, discursou. Mas a governadora Raquel Lyra e o ministro Jader reconheceram o empenho de Duque para o Vanete Almeida.
Municípios
Na terça-feira, a Amupe realiza em Gravatá, no Agreste, a primeira assembleia de 2026. O presidente da associação, Marcelo Gouveia, avisa que estarão em pauta assuntos relevantes, como a concessão da Compesa e a estiagem. A partir das 9h, no Hotel Canárius.
Bê-á-bá
O presidente da União de Vereadores de Pernambuco, Léo do Ar, anuncia para depois do Carnaval o lançamento de uma cartilha detalhando os regimes de previdência. Conta com a presença do ministro da Previdência, Wolney Queiroz.
18/01/26 – http://blogfolhadosertao.com.br – Por Italo Nogueira
Escritura citada por Sóstenes como justificativa para os R$ 430 mil em espécie foi lavrada após a ação da PF e reúne exceções incomuns para transações imobiliárias
Bolsonarista Sóstenes Cavalcante
(Folhapress) – A transação imobiliária usada pelo deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, para justificar os R$ 430 mil apreendidos em sua residência em Brasília só foi oficializada em cartório quase duas semanas após a ação da Polícia Federal.
A escritura de venda da casa em Ituiutaba (MG) foi assinada no dia 30 de dezembro. O ato foi lavrado 11 dias após a PF apreender o dinheiro, no dia 19 de dezembro.
A venda foi apontada por Sóstenes como origem do dinheiro vivo. Ele disse que manteve os valores em casa por falta de tempo para depositá-los. Os recursos em espécie foram apreendidos durante o cumprimento de mandado de busca no âmbito da investigação que apura desvio de verba das cotas parlamentares.
O deputado afirmou à reportagem que a transação ocorreu em 24 de novembro, quando um contrato particular entre ele e o comprador foi assinado. Segundo Sóstenes, esse documento previa a assinatura da escritura até o fim do ano.
Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara ( Foto Lula Marques/ Agência Brasil)
A escritura assinada no dia 30 de dezembro cita o contrato particular mencionado por Sóstenes. Contudo não lista esse acordo entre os papéis apresentados ao tabelião no ato da escritura. O deputado disse que vai apresentar o documento em sua defesa ao ministro Flávio Dino, relator da investigação do caso no STF (Supremo Tribunal Federal).
A escritura mostra que ela foi assinada com exceções incomuns a documentos do tipo. O imposto de transmissão não foi recolhido antes do ato. Além disso, o comprador dispensou a apresentação de certidão fiscal municipal do imóvel e certidões cíveis e criminais do deputado no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
O comprador do imóvel foi o advogado Thiago de Paula, que atua em Ituiutaba, Uberlândia (MG) e Barueri (SP). O imóvel foi vendido por R$ 500 mil, pago em dinheiro vivo. Procurado, ele não retornou ao contato da reportagem.
A transação gerou uma valorização de 78% em relação aos R$ 280 mil pagos pelo deputado aos antigos proprietários do apartamento em fevereiro de 2023, segundo a escritura da transação.
Sóstenes afirma que a valorização se deveu à reforma que fez na casa. Segundo o deputado, ela foi anunciada inicialmente pelo valor de R$ 690 mil, após avaliação dos corretores da cidade.
Ele afirma ainda que pagou R$ 310 mil pelo imóvel, e não R$ 280 mil como descrito na escritura. A diferença, segundo ele, são os R$ 30 mil de comissão pagos ao corretor. O deputado quitou a transação por meio de transferência bancária, segundo o documento.
O líder do PL declarou que recebeu o dinheiro da venda em Brasília, levado por um funcionário de Paula.
“Eu conheço em Ituiutaba muitos advogados que até os honorários eles pegam em cash, no caixa. No interior, é uma transação muito comum, até porque eles querem desconto, pagar mais barato porque vão pagar em dinheiro, à vista. É uma operação mais comum do que muita gente pensa. Não é comum em grandes cidades, até por causa do risco de assalto. Então, não me levantou nenhum problema porque não tinha nada de ilegal”, disse o deputado.
Meses antes de adquirir o imóvel, ao registrar sua candidatura na Justiça Eleitoral em 2022, Sóstenes havia declarado um patrimônio de R$ 4.926,76, todo depositado em banco. Ele afirma que fez um empréstimo consignado para adquirir o imóvel em Ituiutaba, cidade do Triângulo Mineiro.
Segundo o deputado, eleito pelo Rio de Janeiro, a compra do imóvel foi feita para servir de moradia a parentes que vivem em Ituiutaba. Ele disse ter vivido por dez anos na cidade, onde a mulher também tem familiares.
“Eu tinha comprado a casa como uma oportunidade de negócio, para ajudar um familiar, que se mudou para Uberlândia. Na mudança, eu decidi vender o imóvel”, disse o deputado.
A operação em que o dinheiro de Sóstenes foi apreendido tinha como objetivo aprofundar investigações sobre suspeitas de desvios de recursos públicos de cotas parlamentares, de acordo com a corporação.
A cota parlamentar é um valor mensal que os deputados recebem para custear despesas do exercício do mandato, como aluguel de escritório no estado, passagens aéreas e aluguel de carro, entre outras.
A suspeita expressada pela polícia nos autos do processo é que uma empresa de locação de carros contratada pelos deputados e paga por meio da cota parlamentar continuou recebendo dinheiro mesmo depois de ser dissolvida irregularmente.
Além de Sóstenes, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) também foi alvo de busca e apreensão. Os dois negam as suspeitas.