Marília Arraes e Raquel Lyra disputarão Governo de Pernambuco no segundo turno

02/10/22

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A disputa pelo Governo de Pernambuco será decidida no segundo turno entre Marília Arraes, do Solidariedade, e Raquel Lyra, do Partido PSDB

RENATO RAMOS / JC IMAGEM e MARCOS MATOS / JC IMAGEM
Marília Arraes (SD) e Raquel Lyra (PSDB) – FOTO: RENATO RAMOS / JC IMAGEM e MARCOS MATOS / JC IMAGEM

A disputa pelo Governo de Pernambuco será decidida no segundo turno entre Marília Arraes, do Solidariedade, e Raquel Lyra, do Partido PSDB. A segunda etapa da votação será realizada no próximo dia 30 de outubro.

O resultado do segundo turno foi confirmado por volt das 21h deste domingo (2), com 98,20% das urnas apuradas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Marília Arraes ficou em primeiro lugar, com 23,81% votos válidos até o momento. Para ser eleita em primeiro turno, Marília precisava ter 50% dos votos válidos mais um, o que não aconteceu. O resultado, em tempo, foi muito mais apertado que o indicado pelas pesquisas eleitorais.

Raquel Lyra ficou em segundo lugar na eleição, com 20,84% válidos dos eleitores pernambucanos. Anderson Ferreira (PL), ex-aliado de Raquel, não conseguiu angariar todo o eleitorado bolsonarista no estado.

O ex-prefeito de Jaboatão ficou com dos 18,35% votos válidos. Danilo Cabral (PSB), candidato governista, ficou com 18,02%.

Campanha

Os candidatos chegam ao segundo turno após uma campanha marcada pela dúvida dos eleitores em relação ao segundo colocado.

Raquel Lyra, Danilo Cabral, Anderson Ferreira e Miguel Coelho se embaralharam na segunda posição em diferentes momentos das pesquisas eleitorais, sempre lideradas por Marília Arraes.

Com o resultado, os dois candidatos mais votados agora buscam apoio dos adversários para intensificar sua campanha na segunda etapa do pleito.

Perfis

Marília Arraes tem 38 anos e é neta do ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes. Formada em Direito, ela assumiu seu primeiro mandato de deputada federal, ainda pelo PT, em 2019.

A governadora eleita resolveu deixar do PT no mês de março deste ano, após o partido sinalizar que não lançaria candidatura própria ao Governo em Pernambuco e realizaria movimentação nacional, declarando apoio ao candidato do PSB, Danilo Cabral.

Marília, então, se filiou ao Solidariedade, que apoiou sua candidatura ao Governo. Apesar de o partido ter autorização para utilizar a imagem de Lula como candidato a presidente, uma disputa com o PSB se formou na campanha pernambucana. Em certos momentos, eleitores da Frente Popular chegaram a gritar pelo nome de Marília durante comícios do grupo.

Marília não compareceu a nenhum debate com os oponentes na campanha deste ano, gerando críticas de eleitores e dos adversários. Ela afirmou que não participou dos encontros porque os candidatos não debatem propostas e não respeitam pontos de vista diferentes, e que não estaria disposta a “participar de ringues”.

Raquel Teixeira Lyra Lucena é nascida em Recife e criada em Caruaru. Formada em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco, Raquel tem 43 anos e já foi delegada da Polícia Federal e procuradora do Estado de Pernambuco.

Em sua carreira política, a tucana foi duas vezes deputada estadual (2010 e 2014), tendo a terceira maior votação do estado em sua reeleição.

JANAÍNA PEPEU/DIVULGAÇÃOQUILÔMETROS Candidata percorreu municípios da Mata Sul e do Agreste – JANAÍNA PEPEU/DIVULGAÇÃO

Em março de 2016, durante seu segundo mandato como deputada, Raquel Lyra deixou o PSB, partido em que se elegeu ao cargo. Segundo ela, a legenda não a permitiu disputar a prefeitura de Caruaru, cargo que ela viria a conquistar em 2016, após sua entrada no PSDB.

Raquel Lyra foi a primeira prefeita de Caruaru, conquistando sua reeleição em 2020 no primeiro turno com cerca de 66% dos votos.

RAQUEL LYRA NA CAMPANHA PARA O GOVERNO DO ESTADO

Raquel Lyra (PSDB) oficializou sua candidatura ao governo de Pernambuco no dia 30 de julho deste ano.

Poucos dias antes ela já havia oficializado Priscilla Krause, que havia se afiliado ao Cidadania, como sua candidata à vice-governadora.

Essa foi a primeira vez em que duas mulheres disputaram o governo de Pernambuco na mesma chapa, fato lembrado pela própria Raquel em eventos de seu partido.

A ex-prefeita de Caruaru pautou sua campanha em relembrar os feitos desenvolvidos no interior. Emprego, segurança e moradia foram temas recorrentes em sua caminhada para tentar o governo do estado.

Américo Nunes/Divulgação

Raquel Lyra é a candidata a governadora do PSDB em Pernambuco – Américo Nunes/Divulgação

Por ter crescido na Capital do Forró, Raquel teve como um dos focos a gestão para as demandas do interior do estado. A falta de acesso à água. à estradas e à saúde foram temas também trazidos para o debate por parte da ex-prefeita.

Nos primeiros debates, Raquel foi deixada de lado por seus adversários, que trocavam acusações entre eles. Na reta final da campanha, ao mostrar um crescimento nas pesquisas, a candidata passou a ser mais visada pelos outros postulantes.

Um tema que foi uma pedra no sapato da candidata foi a questão dos transportes. A família da ex-gestora possui uma empresa de transporte municipal, fato recorrentemente lembrado por seus adversários.

Eles afirmavam que seu ‘interesse pessoal’ iria interferir em sua possível administração estadual. Raquel, por outro lado, defendia que não iria existir nenhum conflito de interesses, afirmando que, em sua vida pública, tratou todos os temas com honestidade.

As pesquisas de Pernambuco e do Brasil. O que está em jogo, de verdade?

02/09/22

Por Igor Maciel

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Cenário é incerto, tanto no Brasil quanto no estado, e o voto será dado num ambiente em que pode mudar tudo sobre o futuro.

Nelson Jr./Ascom TSE
Confira na matéria um modelo de colinha eleitoral e baixe para preencher com os dados dos seus candidatos – FOTO: Nelson Jr./Ascom TSE

Eleitores e eleitoras, seu voto nunca foi tão importante. A frase clichê se aplica bem este ano porque, tanto em Pernambuco quanto no Brasil, o sentimento do eleitor que se dirige à urna neste domingo será um fazedor ou desfazedor de destinos. Muito mais do que em eleições anteriores porque se você analisar as pesquisas de primeiro turno em 2018 na reta final vai perceber que, ali, o aperto era menor. Por mais que os criadores de versões alternativas à realidade tentem descredibilizar as pesquisas sérias, elas captaram o sentimento do eleitor naquele ano, nas vésperas da votação, sim. Agora, tanto a pesquisa Ipec estadual quanto a nacional mostram uma incerteza sobre o resultado que não se tinha em 2018 nesse nível. Em 2018 havia certeza de segundo turno e, agora, pode acabar tudo em uma votação só.

Nacional

Primeiro, os números nacionais. E, aqui, vale lembrar, são votos válidos. Eles são apresentados no mesmo formato em que serão divulgados ao saírem da urna no domingo. Lula (PT) está com 51%; Bolsonaro (PL) 37%; Ciro Gomes (PDT) 5%; Simone Tebet (MDB) 5%.

Aqui, o eleitor vai decidir se Lula merece ser presidente sem passar por uma segunda etapa de votação ou se Bolsonaro deve ter uma chance para insistir (por meios democráticos, diga-se).

Ciro e Tebet estão fora do jogo? Para vencer, sim. Mas, sem eles, Bolsonaro pode não ter chances de reverter o resultado e a eleição acaba.

Contra o bolsonarismo joga pesado o cansaço do eleitor. Como transformou o Brasil em praça de guerra por quatro anos, o atual presidente é incapaz de garantir ao brasileiro que ele terá algum sossego para cuidar da própria vida sem ter que ficar discutindo as bobagens sobre comunismo, ideologia de gênero e armas que viraram trincheira dele. Esses tiroteios criados pelo bolsonarismo invadiram a mesa de jantar dos brasileiros, as famílias, os amigos e todos estão muito cansados.

Por outro lado, tentar acabar com essa guerra significa ter que eleger em primeiro turno, como nunca antes na história desse país, um ex-presidente que foi preso por corrupção e ainda responde a processos neste âmbito. Mesmo quando era quase unanimidade, Lula nunca conseguiu ser eleito em primeiro turno. Será agora? Ele conseguir isso neste momento, dirá muito sobre o nível de cansaço do brasileiro, mais do que sobre suas qualidades.

A pergunta é: por causa deste cansaço, é justo expor o Brasil a uma eleição curta em que pouco se discutiu com objetividade o Brasil e muito se brigou e se atacou no nível pessoal? O que cada um deles, Lula e Bolsonaro, propuseram ao país, além do “vote em mim para evitar ele”?

E Pernambuco

Agora, os números estaduais. Marília (SD) alcançou 38%; Raquel (PSDB) 17%; Miguel (UB) 17%; Danilo (PSB) 12%; Anderson (PL) 12%. Há pesquisas qualitativas apontando uma simpatia do eleitor com a ideia de ter duas mulheres no segundo turno pela primeira vez e isso tem reforçado a posição de Raquel.

Já se esperava um crescimento nessa reta final de Miguel e Danilo, por causa da força das estruturas. Miguel está no partido com o maior volume de dinheiro do Brasil para a campanha, Danilo tem a máquina estadual ao seu lado. Só o primeiro conseguiu o resultado esperado nessa véspera e empatou com a ex-prefeita de Caruaru.

Se Danilo não chegar ao segundo turno, será preciso que se faça uma reflexão profunda sobre os motivos que proporcionaram o que era improvável alguns meses atrás, os socialistas ficando pelo caminho. O PSB precisará se recolher e entender onde errou nos últimos anos.

Se Anderson não conseguir reagir ao ponto de sair dessa quinta posição, também precisará passar por uma reflexão sobre a certeza do voto evangélico e bolsonarista que foi tão repetida por ele.

Se Miguel interromper o crescimento e não ultrapassar Raquel, será necessário reavaliar até que ponto o chamado voto de estrutura é tão importante, para além do sentimento das pessoas.

E, se Raquel ficar pelo caminho, talvez seja o momento de ela pensar se não concentrou demais a campanha em determinadas regiões e demorou a chegar em áreas essenciais, como a populosa Região Metropolitana do Recife. Mais, será o momento de refletir se não deveria ter embarcado como aliada no palanque de alguém.

O que o eleitor estará decidindo neste domingo é quais candidatos terão que passar por essa reflexão após o resultado que deve ficar mais claro por volta das 20h30. É quem vai para o segundo turno contra Marília e quem vai para a cadeira do terapeuta na segunda-feira.